[TRADUÇÃO] Álbum Born To Run – Bruce Springsteen Parte 1

Born to Run


Era pra ser algo diferente disto.
Era pra ser uma introdução objetiva a Born To Run.
Mas eu não consegui.
Dylan me obrigou a enxergar o fim da inocência de todas as coisas.
Muddy Waters me fez voltar às juke joints para dançar.
Ninguém tinha falado comigo honestamente.
Ninguém tinha escrito canções sobre mim.
Ninguém, exceto Bruce Springsteen.
Em 1975, ao compor o épico sobre o amor em quatro rodas, o garoto de Jersey não tinha noção de que, trinta e cinco anos depois, aquelas canções seriam tiros de espingarda em alguém enterrado no milharal, falando sobre carros envenenados, amores talvez perdidos e futuro absolutamente incerto.
É sobre isso que trata o disco inteiro.
A seguir, tentei fazer o melhor possível para traduzir todas as canções.
Com as gírias e o desprendimento juvenil a elas inerentes.
Mas, um aviso: antes de tudo, Born To Run é um sentimento.
É você e sua garota – ou, você sem sua garota – acelerando estrada afora em direção à terra prometida que provavelmente só exista na imaginação.
Isso não poder ser compartilhado em palavras.
Bruce Springsteen tinha 25 anos quando compôs aquelas canções.
E ele é um cara como eu ou você. Sem muita técnica, mas com um coração que arrebenta o peito
É preciso entender tudo sozinho.
Apenas experimente ter vinte e poucos anos, uma sacola cheia de decepções na bagagem e um veículo que acelere acima de 150 Km/h; em alguma rodovia fantasma você avistará os heróis arrebentados na última viagem desesperada.
Se ainda não conhecia Bruce Springsteen, tenho muita pena de você

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A Melhor Época da Vida

“Essa é a melhor época da sua vida!”.
“Você acha mesmo?”.
“Claro que sim! Quantos podem dizer que não dependem de ninguém senão de si?”.
“Não sei, alguns que eu conheço”.
“Bobagem, eles são minoria, tenho certeza. Você está na melhor”.
“Com rodas cromadas, tanque cheio a acelerando além do limite?”.
“É o que você diz, com toda essa criancice de Mad Max, The Road Warrior”.
“Na verdade, é uma criancice de Born to Run”. (mais…)

Olhe lá

Aquela por quem você pensou em se

Matar.

Você a viu no outro dia

Saindo do seu carro

No estacionamento da Safeway.

Ela usava um vestido verde

Rasgado e botas velhas

E sujas.

Sua face marcada pela vida.

Ela viu você.

Então você andou até ela

E falou-lhe e aí

Ouviu.

Os cabelos dela não brilhavam

Sua conversa e seus olhos eram

Apagados.

Onde ela estava?

Para onde teria ido?

Aquela por quem você iria se

Matar?
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Published in: on Junho 20, 2010 at 12:33 am  Comments (2)  
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Ao Pôr-do-Sol

Sobre tudo, onde estou?
Quem sou eu? Talvez você não saiba, ou não precise realmente saber
Escrevo num blog que fala de tudo e ao mesmo tempo cala ignorantes
Um espaço pra quem tem coração, mas que não se importa muito
Pra quem precisa sentir, ou lembrar que sente o mesmo que eu, tu e eles

Uma estrada que é feita de pensamentos
Pensamentos conseguidos na estrada
Pode ser longo, curto, verdadeiro, mentiroso, não importa
Desde de que seja um pensamento, há de servir pra algo

É uma estrada onde o infinito pode ter fim
Ou em que o finito nunca acaba
Tudo é ponto de vista, e você sabe disso
A vida é ponto de vista, poesia é ponto de vista

Uma estrada que nos leva, nos conduz uma cruz, uma espada
Se já está traçada ou se a traçamos, eu não sei
Mas todos, invariavelmente todos caminham juntos
Unidos por um elo que eu não conheço
Na mesma estrada ao pôr-do-sol.

Published in: on Junho 16, 2010 at 6:36 pm  Deixe um Comentário  

Escrever

“Escrever nunca foi trabalho para mim. Sempre fora assim, desde quando me lembrava: ligar o rádio numa estação de música clássica, acender um cigarro ou charuto, abrir a garrafa. A máquina fazia o resto. Eu só precisava estar ali. Todo o processo me permitia seguir em frente quando a vida oferecia tão pouco, quando a própria vida era um espetáculo de horror. Sempre havia a máquina para me acalmar, conversar comigo, me entreter, salvar meu rabo. Basicamente, era por isso que eu escrevia: para salvar meu rabo do asilo dos doidos, das ruas, de mim mesmo.”

Hank

Published in: on Junho 13, 2010 at 10:48 am  Deixe um Comentário  

Daquela vez o troço acabou comigo.

Nunca mais me aproximaria daquele detestável instrumento de sons e cordas de aço.
Todas as execráveis, patéticas e comoventes coisas que disse, usando-o; e as coisas que ele me fez dizer, usando-me, sibilavam como o último sopro imbecil de uma ventania que me consome de repente. A resposta não vem no vento, meu amigo.
Devia me esquecer dele.
Cortara as unhas e os calos nas falanges começaram a desaparecer.
Era o fim. Repetia para mim mesmo: “nunca tive muito talento mesmo”.
Cansara daquele mudo psicólogo para as angústias sem nome.
Havia acabado. Ele ouvira coisas demais e deixou de ser confortante conversar com ele.
Decidi-me nunca mais tocar “Keep me in Your Heart” ou “Romance in Durango” em qualquer instrumento estúpido que fosse.
Atiraria em você, se me entregasse um violão.
Esconjurei a aura de santidade e rebeldia daquele som folk – tais cordas de aço dilaceraram repetidas vezes meus dedos até que eu abandonasse a encruzilhada das rodovias 61 e 49. Nunca mais venderia minha alma ao diabo para tocar uma música que fosse.
Isso aconteceu há seis meses.

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