Ele esquecera o aniversário de namoro (Parte II)

(Parte I)

“Ele esquecera o aniversário de namoro de ambos”.

E para a tristeza dela, não havia sido a primeira vez.

Ele com o velho discurso “datas não são importantes, o que sinto por você é o que vale”.

Ela nunca acreditou nisso.

Não se convencia de como ele poderia lembrar de todos os títulos que seu time tinha ganho e esquecia da data do aniversário de namoro, o único pretexto para eles se encontrarem e fingir que tudo estava na mais perfeita sintonia como último capítulo de novela mexicana.

Um ano, infindáveis 365 dias e seu jardim de sentimentos secou.

No dia posterior a esse, ele resolveu inovar e logo cedo avisou que iria vê-la em sua casa. Embora ela tenha dado um sim duvidoso, parece que aquela voz veio como uma chuva de verão e fez brotar uma sementinha chamada “esperança que toda mulher tem que seu homem vai mudar”.

Comprou taças e um vestido, colocou o vinho antigo na geladeira, arrumou-se e esperou ele chegar.

Ele chegou.

Trouxe consigo um papel, abriu com alegria, leu alto e em bom som. “Era uma música para ela e sobre ela, exclusivamente“.

Ela ouviu com atenção e deu um meio sorriso. Metade dela ficou feliz. Ser musa inspiradora é uma honra pra poucos. Seria ele seu príncipe encantado de jeans rasgado e um violão? Contudo, sua outra metade entristeceu vendo como ele tão bem sabia a cifra da música sobre ela e não decifrava seus desejos mais sinceros. E isso foi o que mais pesou.

Ao dobrar o papel, ela pensou como teria surtido mais efeito se em vez de meio punhado de palavras rítmicas, ela tivesse recebido um “boa noite” ou “sinto sua falta” quando sua fiel companhia era o travesseiro.

Ela não comentou nada com ele, mas o ares do momento fizeram questão de mostrar-se. E algo mudou naquele momento e nos momentos que se sucederam.

Não tinha cor, sabor, intensidade. Não tinha os acordes pra harmonia da vida.

“E um mês após a música de amor, o amor se acabou”.

Ela mesmo sem parecer entender, sabia que isso era iminente.

“Ele não dava a mínima”.

“Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime (…)”
(Ainda uma vez, adeus – Gonçalves Dias)

 

Obs.¹: Texto escrito por Fernanda Priscila a pedido dos autores desse blog, para uma série de quatro textos escritos por amigas convidadas.

Obs.²: Os trechos em itálico foram retirados do texto “Ele esquecera o aniversário de namoro”, autoria de Na Estrada Ao Pôr-Do-Sol.

Fica aqui um super agradecimento da equipe do Na Estrada Ao Pôr-Do-Sol a Fernanda Priscila, pela atenção e carinho e por aceitar dar sua belíssima contribuição aqui no blog. Quem quiser mais de Fernanda Priscila visite o seu espaço, que por sinal eu recomendo muito, aqui no Pour Voler…

Published in: on Fevereiro 26, 2011 at 11:54 pm  Comments (2)  
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2 comentáriosDeixe um comentário

  1. Gostei Bastante.
    Muito bom.😀.

  2. Uau! Nunca meu ponto de vista havia sido tão agradavelmente violentado.


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