“Precisava ver aonde essa história ia dar”

Eu ouvi isso de Thiago Lacerda em Viver a Vida de 04 de dezembro de 2009.

Churrascaria às margens da BR 116.

Quilômetro fim-do-mundo.

Garçom com sono e comida ruim.

Desde já, digo: eu não sou um fã de Manoel Carlos.

No jogo do bicho, eu nem sei quem é Manoel Carlos.

Mas não posso deixar de reconhecer que, com essa frase, ele tocou a fonte.

Claro, como sempre, esse é o ponto de vista de alguém que vive sozinho dias demais e usa guardanapos apenas para limpar o suor do copo de uísque.

Mas, convenhamos, há algo precioso nessa passagem.

Confesso: todas as vezes que disse adeus, eu me senti assim.

Inexoravelmente preso a alguém enquanto não fizesse tudo que me fosse possível para ficar com ela.

No fundo, acho que sou um cavalheiro.

Isso ou Dom Quixote me aconselha em causas perdidas.

Sim, eu vou até o fim.

Até o último adeus, eu tento.

Seria uma pena se não fizesse.

Nunca nos separamos realmente se não fizermos tudo o que nosso auto-respeito permite para ficarmos com aquela pessoa.

Se quiser experimentar, tente!

Ou acolha o conselho de alguém que tentou inúmeras vezes…

Quando a noite cai em Atlantic City, jogue a última ficha.

Se perder tudo, não era o dia, não era a garota ou o croupier não foi com sua cara.

Tudo é possível, no meio da estrada para lugar nenhum.

Bem vindo ao mundo da pedra que rola.

Falo do que sei.

No fim da noite, com o dinheiro acabado e longe de casa, todos percebem que há certa dignidade no amor perdido.

É como acabar com a fome.

Todos tentam até o limite de suas forças.

Ninguém consegue.

Mas parece digno tentar.

Postado ao som de Radio Nowhere – Bruce Springsteen

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2 comentáriosDeixe um comentário

  1. “Tudo é possível, no meio da estrada para lugar nenhum.”

    Perfeito.

    Ô personagem do texto… cê não fez nada errado não.
    Bebeu até a última gota. Embriagou-se… É, vem a dor de cabeça, mas o melhor, passa!🙂

    Bjs

  2. Nesse mundo de espasmos, euforias, efusividade e sons,onde tantas pedras rolam, nem todos enxergam os moinhos de vento.


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