Até Mais

Foto por @emersonanomia 

“Eu também estive na encruzilhada
  das rodovias 61 e 49 em Clarksdale à meia-noite;
  com uma garrafa pela metade de Jack Daniel’s adulterado
  e um violão folk com cordas tão velhas
  que abriram cortes em meus dedos”.

Talvez eu nunca mais consiga escrever algo.
É o fim, por enquanto, para mim, pelo menos.
Depois de todo esse ano, a garota do OI no bar não é mais tão gostosa quanto no primeiro piscar de olho e sorriso de canto de boca.
Ou não tão boa de cama.
No fim, acho que a fonte secou.
Como sempre há de secar.
E, vocês sabem, eu só digo ADEUS quando é uma fatalidade.
Foi bom, obrigado.
Camisinha no vaso sanitário.
É triste dizer.
Mas eu simplesmente superei o blog.
Vou contar uma verdade: enganei a todos.
Quando acharam que estava falando sobre mim, era sobre a vida.
Quando acharam que era sobre a vida, era constrangedoramente sobre mim.
Ok, já que esta é a última valsa, no bis, vou contar outra verdade.
Esse blog foi feito para que superássemos
(Seja lá o que cada um de nós tinha para superar).
Eu, pelo menos, superei guerras perdidas e terríveis becos sem saída.
Não foi fácil pegar a direita naquela encruzilhada.
E este é o final escrito sobre os campos de algodão.
Último tiro do tambor naquelas que, boas ou (às vezes) más, fizeram-me crescer.
A estrada sempre se bifurca.
Segue-se por caminhos diferentes, como acontece quase sempre com todos.
Sendo quem éramos, não seria diferente.
Respeitar as próprias decisões é mais do que as pessoas fazem em uma vida inteira.
Você que está com Dante na floresta escura ao meio da vida, obrigado.
Ajudou-me um bocado na longa, perversa e necessária travessia entre a adolescência e a juventude.
Em minha particular Desolation Row.
Nessa estrada ao pôr-do-sol, eu compreendi as iluminações no fundo do uísque e aquelas formadas na fumaça do cigarro.
As cicatrizes emocionais, às vezes, cicatrizam.
Troquei o meu .44 por um violão de cordas novas.
Resolvi tentar a sorte em Nueva York e não preciso atirar em você nunca mais.
Eu gostaria de agradecer por isso.
Beijos.

Postado ao som de Like a Soldier – Johnny Cash

Published in: on Maio 28, 2011 at 11:59 pm  Comments (1)  
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  1. Com uma “.40”, apenas, a vida pode ser mesmo solitária, contudo, melhor que vários certos verbos em qualquer monólogo deturpado por uma auto convicção de conceitos sem fé e vadios.
    Já disse Wagner Moura :“A vida é mesmo solitária pra quem não tá a fim de qualquer conversa otária”.


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