SOA COMO UMA VELHA CANÇÃO

Há garotas que sabem dar o melhor de si, que se permitem trazer uma sacola de papel com um verdadeiro tesouro: vodka decente, pão francês, cigarros e balas de hortelã, e também comprimidos pra ressaca. Elas sabem que você é um prisioneiro e não um paspalho que se faz passar por artista, e se não sabem, pelo menos fingem com graça.
Garotas que ajudam a enxotar o cara do aluguel, que pegam a correspondência e jogam fora sem abrir porque são espertas, sabem que gente como você não recebe cheques de fundações, revistas nem cartões de Natal, que o mundo lá fora só quer encher o seu saco. Elas não dizem que você é infiel, dizem que você se vira como pode.
Garotas que coçam as suas costas e não fazem perguntas inúteis. Garotas que qualquer um, menos você poderia amar e com isso estragar. Elas não precisam de um marido ciumento, não querem o yuppie amável que rala a bunda para ganhar umas migalhas. Elas se entregam ao prisioneiro, ao cara que bate a porta e apaga este mundo nojento com seus poetas sob medida e suas putinhas honoráveis. Garotas capazes de limpar persianas sem fazer comentários, que sabem quando é hora de ir embora e que jamais levarão uma estúpida flor ao seu túmulo.

Brindo a elas.

— Efraim Medina Reyes – Pistoleiros / Putas e Dementes.

Postado do som de I Just Wanna Make Love To You – Etta James

Eu acho que sou um viciado

"Ouvi o grito de dor de um homem que falava a verdade
mas ninguém se importava
Botando pra fora tudo o que sentiu na pele
Mas ninguém lhe dava ouvidos não"

A cada dia que passa digo que o próximo será diferente. Que não farei mais isso, que mudarei, que tudo será melhor. Que largaria tudo isso para aproveitar as coisas realmente boas da vida. Mas, de alguma forma, eu não posso, não consigo. Talvez eu nem queira mais.

Eu acho que sou um viciado. (mais…)

Published in: on Janeiro 24, 2012 at 11:54 pm  Deixe um Comentário  
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Sexo

É uma merda escrever sobre sexo.
Não merda no sentido de coito anal.
Mas porque tudo parece terminar em algo culpado.
Alguém precisa se martirizar por culpa do Cristianismo.
Entre dezenas de concepções religiosas dominantes
(algumas flagrantemente favoráveis ao sexo)
Prevaleceu o ensinamento do padre na missa de domingo.
A verdade na guerra é feita pelos vencedores, você diz.
E está certo.
Mas não é sobre história crítica que esse texto berra Lithium no microfone.
É sobre a DIVINDADE DO SEXO CONSENSUAL.
Sério. Ninguém vai entender isso… já estou vendo.
Bem, ao menos que você já tenha estado com mais mulheres de que consiga se lembrar.
E tenha sentido o vazio da manhã seguinte.
É, esse texto só fará sentido para quem sabe a diferença entre sexo e amor.
A vontade de vestir a roupa e ir embora, e aquela de dormir ressonando a noite inteira.
Isso transcende um texto vagabundo escrito no fim alcoólico de uma noite.
É algo que se precisa viver.
Por isso, fazer sexo é necessário.
Alguém não perde o respeito quando transa.
Perde-se o respeito quando não se respeita.
O Cristianismo diz que o sexo antes do casamento é pecado.
Ok, eu não acredito neles mesmo.
Eu digo que é necessário.
E correndo o risco de ser excomungado: garotas ou garotos, vocês não precisam de um pedaço de papel do cartório para se manterem juntos e verdadeiros.

Postado ao som de Light Of Day – Tommy Stinson

Published in: on Janeiro 21, 2012 at 12:40 am  Deixe um Comentário  
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Bate-Bola com Oswaldo Montenegro

A Lista – Oswaldo Montenegro

Oswaldo – Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais?

Mr. Black – Você começou de sola, heim? Bem, em dez anos a vida se modifica muito. Todos precisam saber disso. Sem querer parecer indelicado, mas há amigos que não se adaptam. Então você tem duas opções. Ou se adapta a eles para não os perder – e isso é bastante bacana e igualmente difícil – ou, simplesmente, eles são tragados pelo redemoinho de vento dos acontecimentos. Não é culpa de ninguém. É só a vida. Quando se vive muito, dizem que velhos amigos sempre terminam encontrando um jeito de voltar. Espero que um dia voltem.

Mr. Green – Não vejo minha mãe todos os dias, quanto mais meus amigos. Uns muito bons continuam comigo. Outros, por causa da vida, tiveram que seguir outro caminho e mesmo assim continuam próximos. Chamo isso de Internet 2.0. E com a evolução da telefonia móvel não há como ficar muito tempo sem entrar em contato com os que realmente são amigos. Haverá casos em que falaremos só o suficiente. Pra mim, isso basta. É como ouvi uma vez “Não use 7 palavras se 4 palavras resolvem”.

Mr. Brown – Sempre me disseram que amigos é uma coisa que se guarda pra sempre, que amizade dura a vida toda. Acreditei e acredito nisso. Mas o destino é uma coisa complicada de se lidar, nem sempre ele segue o caminho que queremos ou imaginamos e isso acaba afetando algumas relações. Pessoas vão e vem. Mas se eram amigos de verdade eu acho que nunca passarão. Pode ser até que não os vejamos ou não tenhamos contato, e podem até passar dez anos, mas se forem amigos de verdade sempre voltarão. (Respondido ao som de Canção Da América – Milton Nascimento).

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