Charles Bukowski Tapes – #2

Segunda entrevista do Velho Buk das cinquenta e duas pequenas sequências do documentário produzido por Barbet Schroeder.

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Published in: on Março 25, 2012 at 4:10 am  Deixe um Comentário  
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Vontade de te ver

Hoje eu senti teu cheiro

E o sol se abriu pra mim
A névoa enfim se dispersou
E eu pude ver com mais clareza

Que sim, eu estou certo
Quando digo que te quero
Poucas coisas pra mim são mais claras
Do que a vontade de ficar com você

De te dar todo meu o aninho
Cruzarmos juntos o caminho
Que viermos percorrer

A vontade que tenho
É sair correndo agora
Pedir pro mundo ir embora
E te abraçar
E te beijar

Olhar teu olho
E ver a mim
Refletindo com clareza
O que se passa na beleza
Do teu peito a suspirar

 

– Henry Florean
Ao som de Aline – Los Hermanos
Published in: on Março 14, 2012 at 10:00 pm  Comments (1)  
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Canções de Adeus

Pelos Bons Tempos

Não fique triste
Eu sei que acabou
Mas a vida segue adiante
E esse velho mundo continuará girando
Apenas vamos agradecer
Ainda temos algum tempo para estarmos juntos
Não há necessidade de assistirmos
As pontes onde estávamos queimarem

Descanse sua cabeça sobre meu travesseiro
Coloque seu quente e terno corpo perto do meu
Escute o sussurro dos pingos de chuva
Ao soprarem suavemente contra a janela
E me faça acreditar que você me ama
Uma vez mais
Pelos bons tempos

Eu vou continuar
Você encontrará outro
E eu vou estar aqui
Se você achar que pode precisar de mim
Não diga nada sobre o amanhã ou sobre a eternidade
Haverá tempo suficiente para tristeza
Quando você me deixar
Pelos bons tempos

Descanse sua cabeça sobre meu travesseiro
Coloque seu quente e terno corpo perto do meu
Escute o sussurro dos pingos de chuva
Ao soprarem suavemente contra a janela
E me faça acreditar que você me ama
Uma vez mais
Pelos bons tempos

Ao som de For The Good Times – Kris Kristofferson

***

Alguém Como Você

Eu ouvi dizer que você está sossegado
Que encontrou uma garota e agora está casado
Ouvi dizer que seus sonhos se realizaram
Acho que ela te deu coisas que eu não dei

Meu amigo
Por que você está tão envergonhado?
Isso não é algo que você possa voltar atrás
Ou que possa esconder.

Eu odeio aparecer do nada, sem ser convidada
Mas não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu esperava que você me visse e lembrasse
Que pra mim não acabou

Não se preocupe
Eu vou encontrar alguém como você
Também não te desejo nada além do melhor
Não me esqueça, eu imploro
Eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura,
Mas, às vezes, ele fere.

Você sabia como o tempo voa
Ontem foi a época das nossas vidas
Nós nascemos e crescemos em uma neblina de verão
Unidos pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio aparecer do nada, sem ser convidada
Mas não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu esperava que você me visse e lembrasse
Que pra mim não acabou

Não se preocupe
Eu vou encontrar alguém como você
Também não te desejo nada além do melhor
Não me esqueça, eu imploro
Eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura,
Mas, às vezes, ele fere.

Nada se compara, não se preocupe ou se importe
Lamentações e erros são frutos da memória
Quem poderia ter adivinhado quão agridoce isso seria?

Não se preocupe
Eu vou encontrar alguém como você
Também não te desejo nada além do melhor
Não me esqueça, eu imploro
Eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura,
Mas, às vezes, ele fere.

Ao som de Someone Like You – Adele

Published in: on Março 12, 2012 at 7:08 pm  Deixe um Comentário  
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Mulheres

Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura.

Charles Bukowski

****

No dia oito de Março é comemorado o dia internacional da Mulher. Um dia que simboliza todas as revoltas e conquistas das mulheres.
Mas todos os dias são das mulheres, das mulheres heroínas, com seu poder de multiplicar-se, das mulheres guerreiras, com sua força incansável, de todas as mulheres, com sua beleza e inteligência, mas outrora firmes e agressivas.
Só que nem tudo são flores, a maioria das mulheres ainda sofre grande discriminação por parte da sociedade. Também é vergonhoso o que acontece em silencio nas muitas casas, a violência domestica está aumentando a cada dia e esses agressores estão saindo impunes dos seus crimes.
Sobre os olhos roxos dessas mulheres, correm lágrimas que transformam-se em um oceano de esperanças… Esperando que um dia essa situação mude.
Parabéns a todas as mulheres, pelo seu heroísmo, pela sua força e pela sua beleza infinita e parabéns aos homens também, por terem a honra de conquista-las.

Fernanda Priscila

Postado ao som de Mulheres de Atenas de Chico Buarque

Published in: on Março 8, 2012 at 4:37 pm  Comments (2)  
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Caio Fernando Abreu: O cara do Face

Cena de Onde andará Dulce Veiga, adaptação cinematográfica
do livro homônimo de Caio Fernando Abreu – Foto: Divulgação

No Shopping, puxei o livro da mochila e percebi que estava sendo observado. Mal virei a primeira página e ela se aproximou. Devia ter uns 20 anos. Ficou se contorcendo, tentando ler o nome que estava na capa. Conseguiu:

– Ai, que legal…

– O quê?

– Ele tem livro?

– Como assim?

– O Caio tem livro…

– Que Caio?

– Esse que você tá lendo…

– Tem… vários… um dos maiores escritores do Brasil…

Ela não acreditou muito.

– Caramba… achei que ele era só o cara do Face.

– Cara do…?

– Face… Facebook… internet… cê tem, né?!

– Tenho, tenho…

– Ele também.

– Quem?

– O Caio… tem um perfil todo fofo… Ele escreve cada coisa bonita.

– O Caio?

– Claro, pô. Não é dele que a gente está falando?!

– É que é impossível ele ter perfil.

– Por quê?

– Ele morreu…

– Impossível ele ter morrido!

Chegamos num impasse. Ela virou para o outro lado, como que digerindo a informação. Depois de um tempo, indignada:

– E quem atualiza o perfil dele, então?

– Ele é que não é.

– Cê ta brincando… não deve ser o mesmo… morreu de quê?

– Aids.

– Aids??? Então, ele era velhão?

– Velhão?

– É, ué! Aids não é aquele negócio que dava nos anos 80?

Novamente, um impasse. Dessa vez, eu é que virei para o outro lado para digerir a informação.

– Lê um pedaço aí pra mim.

– Qualquer um?

– É.

– Lá vai: “Aquele negrão, sabe aquele negrão de cabelo rastafári que fica sempre ali no Quênia’s Bar? Aquele que vende fumo, diz que tem vinte e cinco centímetros, já pensou? Isso não é uma jeba, é uma jiboia. Até vinte aguento numa boa, até o cabo. Vinte e cinco não sei, tenho até medo. Pode rasgar a gente por dentro, sei lá”*.

– Ele escreveu isso?

– Sim.

– O Caio?

– Claro, pô. Não é dele que a gente está falando?!

Ela se levantou, indignada:

– Ele escreve coisas fofas, não isso aí. Ele fala de amor, esperança, sorriso. Coisas pra valorizar a gente. Ele tem frases que se encaixam em todos os momentos da vida da gente.

– Isso é Minutos de Sabedoria, não Caio Fernando Abreu.

– Minutos de quê?

Reparei que outra garota tinha se aproximado. Resolveu entrar na conversa:

– Que foi?

– O cara aí tá dizendo que conhece o Caio.

– Que Caio?

– O do Face!

– Ah, tá… prefiro a Clarissa…

– Que Clarissa?

– Ah, sei lá. Acho que é Espectro.

– Não é Clarissa, é Clarice, sua burra!

Começaram a tirar sarro uma da outra e se foram sem dar tchau.

Da próxima vez que estiver em público, puxo um Dostoiévski. Dúvido que ele também tenha perfil fofo no Face.

*O trecho foi extraído de uma frase da personagem Jacyr, do livro Onde Andará Dulce Veiga?, publicado em 1990
Maykon Souza é autor do blog Amenidades Crônicas (http://amenidadescronicas.blogspot.com)
Published in: on Março 2, 2012 at 8:33 am  Comments (1)  
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