Um Comentário Cinematográfico na Madrugada

esse blog não fala explicitamente sobre muito filmes.
é uma pena, pois vários posts dele foram geridos em noites solitárias (acompanhadas ou não), abastecidas de uísque e filmes ruins na madrugada sangrenta.
este post mesmo é um deles.
exceto pela qualidade do filme.
hoje, 18 de abril de 2012, acabou de passar The Wrestler (2008) na TV.
Aronofsky dirige um filme sobre as fragilidades que os homens temem tanto em expor.
um drama sem concessões narrando a condição de não-Hércules de todos os caras.
sim, de todos.
de mim e de você também.
você pode até não admitir isso em público – ou no post de um blog obscuro como este.
mas, no fim de noite, em algum momento da vida, todos os caras já se sentiram como o Randy “The Ram” Robinson – ou Bad Blake, em outro filme incomum, Crazy Heart.
no enredo superficial, The Wrestler (que no Brasil recebeu a tradução medonha de “O Lutador”) é sobre um ícone decadente da luta-livre que se apaixona por uma stripper, ao mesmo tempo que tenta reatar um relacionamento com a filha que não via há anos.
falando assim, parece resenha cinematográfica da revista Caras.
mas o enredo não é assim tão raso.
no centro de tudo está o drama de Randy e sua incapacidade de viver no mundo normal.
esse é um mito recorrente nos épicos anticlimáticos – a volta de Frodo ao Condado em o Retorno do Rei é o mais óbvio.
no fundo, The Wrestler é sobre a jornada incompleta do herói.
aquele que vai, descobre segredos e não consegue se adaptar ao mundo real ao voltar.
é esse sentimento de pertencimento a um ambiente que falta ao lutador.
mesmo rei do ringue, fora dele Randy é só um cara que precisa pagar as contas, acerta-se com a filha e ainda buscar o amor de alguém.
desse modo, a relação fundamental do filme não está nas interações externas ao protagonista.
ela reside entre a celebridade do passado e o seu público (e principalmente como aquela não consegue viver longe da aclamação deste).
as reflexões sobre The Wrestler transcendem – e muito – as lutas do esporte.
Darren Aronofsky constrói um drama sobre lutadores em que a violência é o que menos importa e tudo gira em torno de “um pedaço velho de carne” que se encontra completamente sozinho.
nesse particular, a trilha sonora de Springsteen não poderia soar melhor.
definitivamente, um clássico moderno sobre fracassados.

 

Postado, para quem viu o filme, ao som de Sweet Child O’ Mine – Guns N’ Roses.

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