Local de Paz e Prosperidade

naestrada-post

No vídeo, o lutador mais jovem abre um corte de sete centímetros na testa do oponente. O lutador experiente fugiu metade da luta. Como não faria? Aquele jovem era mais forte, rápido e sabia técnicas que o outro não achava necessárias.

Era setembro de 1999.

Na época, o MMA ainda era chamado “vale-tudo”. E valia mesmo. Valia o que o velho lutador dominava e também todas as novas cenas marciais que o mundo inventava. Era o crepúsculo dos caras que lutavam e voltavam para seus empregos no contraturno. A disputa era desigual. Não que ele reclamasse. Era um soldado. Lutava. Nascera para aquilo. O boxe se tornou velho, o jiu-jítsu era ainda indispensável. Mas todo socador de bêbados no sul da França ou viciado em ópio de Hong Kong era consultado. (mais…)

Anúncios
Published in: on Março 21, 2015 at 8:40 pm  Deixe um Comentário  
Tags: , ,

Ainda sobre aquele dia de carnaval…

imsev102-036

Nunca irei esquecer aquele dia 14. Era tarde. Calor. Era fevereiro. Isso mesmo. Era carnaval.
Nem gosto muito de carnaval, tenho que confessar.
Na verdade, acho que ninguém deve gostar.
As pessoas gostam da bebida e das mulheres. Mas carnaval, marchinhas e axe music, sério?
Mas como eu estava dizendo, nunca vou esquecer aquele dia do carnaval.
Nunca mais perdimento dilacerado.
Nunca mais seus olhos.
Nunca mais eu dentro desses teus olhos…
Ao menos sabemos que é da natureza do carnaval a fugacidade.
Nunca nos enganamos.
Não ao menos até eu me pegar pensando em você agora, de novo.
Pensando assim, o carnaval não parece tão mal.

Pra se ler ouvindo qualquer música do Biquíni Cavadão

Published in: on Março 15, 2015 at 1:29 pm  Comments (2)  

Não há justiça no amor

IMG-20150307-WA0002

“Não há justiça no amor”, ele me disse.
“Como? Você está falando comigo?”
“Sim, não há justiça no amor”, ele repetiu.
Passava o DVD de John Mayer Live in Los Angeles que eu sempre quis baixar, mas nunca conseguira. E agora aquele puta disco genuinamente bluseiro passava de graça na televisão do bar. Eu realmente não estava muito interessado em conselhos de fim de noite. Depois das duas horas da manhã todo mundo só faz merda.
“Certo, certo”, eu respondi.
“Falo daquele cara ali, meio dormindo, meio cantando. Ele tem tudo que uma mulher pediria”.
“Como?”, eu repeti mais interessado na música.
“Ele é deputado, estadual, acho. Uma coisa assim. Mas hoje a mulher lhe deixou. Triste isso. Não há justiça no amor”, ele insistiu.
“Ah, mas o que amor, justiça e política faz na mesma frase?”, falei displicentemente.
“Política traz amor. E tudo o que a política faz se torna algum tipo de justiça”, disse meu garçom filosófico.
“Política traz amor!?”, saí do disco bem no meio de Bold as Love. “Pensei que por causa de Reginaldo Rossi, vocês, garçons, fossem mais espertos”.
“Sim, traz. Claro. Veja esse cara: novo, rico e relator de alguma dessas CPI’s. Ou você acha que o amor aparece para pessoas invisíveis como eu?”
“Não acho você invisível. Depois de John Mayer, você é a pessoa mais importante desse bar”.
“Por um tempo, claro. Mas falo quando eu tirar a roupa de trabalho. Sou um ninguém. Amor não acontece para pessoas como eu. Acontece para ele”.
“Acontece nada! Você está profundamente enganado, meu amigo. Amor não acontece assim. Ele acontece apesar do dinheiro, da influência e dos cargos. Se não for assim, não é amor”.
Ele insistiu, “Certo, mas vai dizer que homens como esse, caras de poder não vão ser amados nunca?”.
“Isso, nunca. Todas as garotas que o amariam pelo que ele é seriam afastadas pelo que ele faz, e toda as garotas atraídas pelo que ele faz não dão a mínima para que ele é”.
“Está certo, você diz que homens como o deputado nunca amarão”.
“Pode acontecer, mas é caminho mais duro é difícil. Um eterno desconfiar-se”.
“Se é difícil para ele, como seria fácil pra qualquer um?”
“Não é fácil pra ninguém, não há facilidade no amor. Mas seria mais fácil você encontrar o amor verdadeiro do que ele”.
“E como seria esse tal de amor verdadeiro?”
“Uma mulher que lhe ama quando ela tem vontade, não por necessidade. Aquela que ficaria ao seu lado ainda que você ficasse aleijado, broxa ou morresse”.
“Em que mundo isso seria mais fácil para mim?”
“Na ausência de expectativas. O amor verdadeiro vem da ausência de expectativas. Quando você vê, já é tarde. E essa ausência de expectativas não existe com nosso amigo deputado. Para aquela garota lá que veio resgatar o deputado agora. Para ela, tudo tem a ver com sexo. Exceto o sexo, sexo tem a ver com poder. Frank Underwood me disse isso em House of Cadrs”.
“Eu estou melhor que ele, então?”
“Provavelmente”.
“Me sinto melhor”.
“Mas não se sinta muito melhor. Vocês deviam ser mais espertos. Reginaldo Rossi odiaria você”.
Rsrsrs. “Outra cerveja?”
“Eu não estou tomando cerveja”.
“Ah, é mesmo!”
“Você é o pior garçom do mundo”.
“Outro vinho?”
“Sim, vivo naquela dieta de vinho e uísque. E volte o DVD porque eu perdi o show inteiro.”
“Certo, senhor.”
“Ah, e por favor ajude aquela garota lá a levantar aquele pobre cão e a levá-lo pra casa. Está dando vergonha alheia. Ele é um deputado, afinal”.

Pra se ler ouvindo Bold As Love do John Mayer

Published in: on Março 11, 2015 at 6:54 pm  Deixe um Comentário  

São seus olhos…

Um brilho que ofusca
A luz das estrelas
Farol que incandeia
A nau do meu peito
Juro que me esforço
Mas não acho um jeito
De trinta segundos
Ficar sem te olhar
Uma luz que causa
Inveja ao luar
Olhar de esmeralda
Verde que me cega
No mar dos teus olhos
Sou barco sem vela
Me perco no verde
Do teu lindo olhar.

 

Pra se ler ao som de “Você Me Bagunça – O Teatro Mágico”

Published in: on Março 7, 2015 at 4:57 am  Deixe um Comentário