o meio de todas as coisas

entre o fim do começo e o começo
do fim toda coisa tem uma massa
inerte feito ponte pela qual
passamos distraídos – ou não:
os astecas sentiam chegar o exato
momento do meio da vida – o meio
do meio da vida, o momento em que
o que já vivemos é exatamente
igual ao que ainda não vivemos
– e nesse momento preciso o mais
comum dos astecas sentia uma súbita
e inexplicável vontade de tomar um trem
mas como ainda não o tinham inventado
ele acabava por entristecer-se
(daí a tristeza, essa vontade de algo
que ainda não inventaram)

(A Partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, 7Letras, 2008)

 

Ao som de The Times They Are A-Changin’ – Bob Dylan

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Dois trechos de Sandman numa madrugada insone

“Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como ‘talvez devêssemos ser apenas amigos’ se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor.

Odeio o amor”.

 

“Andei fazendo uma lista de tudo que não ensinam na escola. Não ensinam a amar. Não ensinam a ser famoso. Não ensinam a ser rico ou pobre. Não ensinam a se afastar de alguém que você não ama mais. Não ensinam a saber o que se passa na cabeça dos outros. Não ensinam o que dizer a alguém moribundo. Não ensinam nada que valha a pena saber”

 

Ao som de Menor Paciência – Matanza

Published in: on Junho 22, 2011 at 8:45 am  Comments (5)  
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Fragmentos Poéticos

“A diferença entre a vida e a arte, é que a arte é mais suportável.”

– Charles Bukowski

Published in: on Junho 19, 2011 at 6:02 am  Comments (1)  

Esta noite

“Seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui há 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.

Caro editor:
parece que as garotas já se
foram.

Entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção

e o senhor pode ficar com todos os poemas

os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.

Entendo o que o senhor me diz.

O senhor entende o que eu digo?

– Charles Bukowski

Não Entre em Pânico!

É bem sabido que todo mochileiro interestelar pode esquecer qualquer coisa, menos a sua toalha. O Guia diz:

“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; (mais…)

Se vai tentar, siga em frente

Senão, nem começe!
Isso pode significar perder namoradas
esposas, família, trabalho…e talvez a cabeça.

Pode significar ficar sem comer por dias,
Pode significar congelar em um parque,
Pode significar cadeia,
Pode significar caçoadas, desolação…

A desolação é o presente
O resto é uma prova de sua paciência,
do quanto realmente quis fazer
E farei, apesar do menosprezo
E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar.

Se vai tentar,
Vá em frente.
Não há outro sentimento como este
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito
É a única coisa que vale a pena.

– Charles Bukowski

Ao som de Thunder Road – Bruce Springsteen

Published in: on Abril 26, 2011 at 11:53 pm  Comments (1)  
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“Precisava ver aonde essa história ia dar”

Eu ouvi isso de Thiago Lacerda em Viver a Vida de 04 de dezembro de 2009.

Churrascaria às margens da BR 116.

Quilômetro fim-do-mundo.

Garçom com sono e comida ruim.

Desde já, digo: eu não sou um fã de Manoel Carlos.

No jogo do bicho, eu nem sei quem é Manoel Carlos.

Mas não posso deixar de reconhecer que, com essa frase, ele tocou a fonte.

Claro, como sempre, esse é o ponto de vista de alguém que vive sozinho dias demais e usa guardanapos apenas para limpar o suor do copo de uísque. (mais…)

Porres e Poesias

“Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede.
Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer.
Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.”

Charles Bukowski

“(…) Melhor morrer de vodka que de tédio! (…)”

Vladimir Maiakovski

Published in: on Janeiro 22, 2011 at 4:33 pm  Comments (4)  
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5 de Novembro

Remember remember the fifth of November
Gunpowder, treason and plot.
I see no reason why gunpowder, treason
Should ever be forgot…

(mais…)

Desejo

“Então Desejo sorri, e esquece, pois Desejo é uma criatura de momento.” (mais…)

Published in: on Outubro 17, 2010 at 11:53 am  Comments (2)  
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