A história se repete como estrada

Pessoal, eu acho que criamos o blog com o objetivo de superarmos, seja lá o que cada um de nós tinha pra superar. E eu acho que tão importante quanto começar bem é terminar bem. Esse blog esteve um pouco parado por causa de mudança natural e progressiva de nossas vidas. Todos superamos o que tínhamos para superar com ele. Acredito que todos nós concordamos que deveríamos dar um ponto final a esse textos – mesmo e com todo o conforto que eles nos proporcionaram. Hoje mesmo, nós tratamos as desilusões de forma diferente. Na época que criamos o blog, só sabíamos fazer isso de três formas: bebida, estrada e vadias. Devemos agradecer a todas elas. Foi bom, camisinha no vaso sanitário.

Eu amo vocês. Obrigado pela jornada. Somos soldados que superaram a guerra.

 

A história se repete como estrada
– Sair ou ficar em casa?

– Depende do dia, mas, na maioria, ficar em casa. Assistindo a TV, “esperando o suicídio de algum boçal”.

– Certo. Trair ou ser traído?

– Ser traído. Há certa dignidade no amor perdido.

– Putz. Discordo, mas… Ok, próxima: neurose ou apatia?

– Tenho uma longa trajetória de mulheres neuróticas.

– Isso não quer dizer que você as prefira.

– Não, claro. Ninguém prefere as neuróticas. Elas nos conquistam.

– Rsrsrs. Com facas?

– Rsrsrs. Não. Com neuroses.

– O que garotas calmas em vestidos de algodão devem às malucas?

– Nada. Mas as malucas produzem melhor poesia.

– Pensei que blues produzisse melhor poesia.

– Também, mas a música sempre produziu discos memoráveis com o sofrimento feminino. Blue da Joni Mitchell, Jagged Little Pill da Alanis e 21 da Adele são exemplos, além de todas as canções nas quais a Billie Holiday colocou a voz. Você poderia ouvir Billie um carnaval de solidão inteiro.

– Billie é a cara do mês seguinte ao domingo que nos separamos. Você está certo, ela merece um mês de trilha sonora. Mas em qual espécie de sofrimento o homem fez grande arte?

– Na fuga.

– Da prisão?

– Não, na fuga da vida cotidiana. Nesse périplo, o homem fez grande arte.

Já falamos neste bar, nesta mesmo horário até, há seis anos atrás, sobre sua tara por Born to Run e Mad Max. Não houve nada de arte. Só porre de uísque paraguaio e antigos ressentimentos. Espero que tenhamos superado o círculo de incompreensão e revanche amorosa.

– Claro, somos adultos. Já passamos por isso e não é do meu feito andar em círculos. Sobre o sofrimento masculino, há uma jornada arquetípica para o homem que está preso a uma vida cotidiana sem sentido e grita por novas experiências e sensações que o façam se sentir vivo. Essa é a raiz da moderna sobre o sofrimento masculino.

– Não vejo como a fuga pode ser exclusiva de um sofrimento masculino.

– Por causa da raiz imediata. Claro, mulheres sempre tentaram reagir contra o status de escravidão ou submissão, mesmo masculina. Mas o modelo de libertação que falo ser pioneiro e principalmente masculino veio dos anos 50 do século passado, com a ilusão de que se rodando estrada afora o homem deixaria para trás um modo de vida preso à cidade e às leis.

– Estamos falando da fuga masculina de carro, então.

– Sim, o modelo de sofrimento masculino é uma fuga de carro. Isso vem desde de On the Road até Infinita Highway.

– Gato, ideias assim significam enxergar a própria vida como uma estrada e lembram algo juvenil, não?

– Exato. O retorno à juventude sem responsabilidades é uma espécie de fuga emocional para os homens.

– Como em On the Road e Infinita Highway, como eu disse.

– Sim. On the Road se tornou modelo de vida para a juventude por mais de 50 anos.

– Faz tempo que li. Carnaval de 2004, acho. Não foi? Eu e você na rede – “matando a sede na saliva” – com os pés na geladeira por causa do calor. Mas lembro que Sal Paradise estava morto antes de cair na estrada. Lembra? Deus, aquele começo é memorável. Algo como “Conheci Dean pela primeira vez não muito depois que eu e minha esposa nos separamos. Eu tinha acabado de superar uma doença séria da qual nem vale a pena falar, exceto que teve algo a ver com a separação terrivelmente dolorosa e com minha sensação de que tudo estava morto”. Gato, aquilo mexeu comigo. Ou melhor, mexeu com a mulher que eu queria ser.

– Sim. Janeiro de 2004. Lá que descobrimos a diferença entre a realidade e a imagem que criamos para nós mesmo e que também não estávamos à altura dos personagens que queríamos ser.

– Foi carnaval fora de época. Essas festas sempre terminam em tragédia.

– Lembra que Sal Paradise buscou a estrada para se sentir vivo? Esse é o típico sofrimento masculino. Sabia que eu vejo aquele casamento desastroso do começo de On the Road logo nos primeiros versos de Infinita Highway? Todo mundo lembra: “Você me faz correr demais / Os riscos desta highway”. A garota como catalisadora da rebeldia.

– Ambas bebem na mesma fonte. A infinita highway se refere às escolhas que se faz, ao modo como se decide viver, On the Road também. Li esses dias um livro do Humberto Gessinger. Ele diz que o tema da “estrada sem fim” é apenas um lugar-comum, tanto aqui quanto no velho country americano. E olha que modéstia nunca foi o forte do Humberto! Ele diz que Infinita Highway é mais próxima da longa estrada da vida de Milionário e José Rico do que da highway mitológica dos americanos.

– Pois é, acho que ele está certo. Falem o que quiser do HG, mas a consistência da obra dele é memorável. On the Road e Infinita Highway compartilham latente o mesmo ideal de liberdade e experimentação da vida da maneira mais intensa possível.

– Sabe, eu acho um verso tristíssimo aquele em que ele vive e morre na cidade, sem nada a temer em uma vida segura (e sem graça), mas morrendo de medo da estrada toda a noite. Ele supostamente tinha tudo, mas faltava algo que o fazia acordar banhado de suor. É compreensível, quando você passa muito tempo somente obedecendo à lei dos homens e esquecendo a lei da infinita highway.

– A lei da highway é o caminho natural da vida. Ele não dá a mínima para a lei dos homens.

– Claro. Aliás, nós sabemos, quem dá a mínima para a lei dos homens?

– Não nossos clientes.

– Leis são irracionais. Não é de se admirar que Sal Paradise ou o cara de Infinita Highway se sintam incompletos, mesmo levando uma vida em que tinham tudo. Sal sente a limitação da vida que levava na cidade e sua alma de escritor pede que ele se lance estrada afora rumo ao oeste. Já em Infinita Highway, o sujeito elege uma ideia para a qual não é preciso seguir roteiros para viver a vida. Eles são reacionários aos padrões vigentes que se propõem a “pegar a estrada” sem rumo certo. Tudo uma renegação ao status da cidade, com seus saberes, teres, objetivos e tudo o mais que aprisiona. A virada se dá quando se percebe que nada do que você não puder levar no carro importa.

– Sabe o que eu amo nessa canção também? Algo que não existe no livro: o fatalismo. “Estamos sós e nenhum de nós / sabe onde quer chegar / Estamos vivos sem motivos / Que motivos temos pra estar”. Tem algo de O Estrangeiro de Camus, não?

– É só rememorando assim que você eterniza a música no seu coração. Infinita Highway teve trinta anos para depurar as referências. Em 1957, Jack Kerouac fundou o mito moderno do sofrimento masculino com On the Road. Depois veio um monte de gente. Sabia que aquele verso “a dúvida é o preço da pureza” vem de A Infância de um Chefe de Jean Paul Sartre?

– Não fazia ideia.

– Pois é, em On the Road e Infinita Highway há um grito de liberdade que ecoa pela estrada sem fim. Mas é engraçado que eu me apaixonei por Infinita Highway em 1998 antes de sequer saber que era influenciada por On the Road. Aquele sentimento chegou primeiro para mim como a introdução épica com carro correndo e ponteado de baixo.

– Depois veio o livro de Kerouac e só depois veio o fatídico 2010, com Born to Run e toda a fantasia de Bruce Springsteen sobre o romance em quatro rodas. Infinita Highway soa como Thunder Road escrita em português, toque as duas em seguida e imagine que Mary subindo naquele carro. Você vai entender. Todos filhos de um mesmo sentimento.

– Vou te contar um segredo. Nunca precisei contar antes. Mas já que não há pretensiosas leis humanas nesta highway e eu estou um pouco bêbada, vou lhe contar. Sigilo, eu tenho uma reputação ainda.

– Preferia morrer a macular sua reputação. Sou um cavalheiro.

– Eu sei. Lá vai: bêbadas, eu fiz amor com uma estranha em um fim de festa. E eu me satisfiz enquanto tocava aquela estrofe de Infinita Highway:Eu vejo um horizonte trêmulo / Eu tenho os olhos úmidos / Eu posso estar completamente enganado / posso estar correndo pro lado errado / mas a dúvida é o preço da pureza / e é inútil ter certeza / eu vejo as placas dizendo não corra / não morra, não fume / eu vejo as placas cortando o horizonte / elas parecem facas de dois gumes”.

– Os melhores versos escritos em português.

– Ow, se são…

– Eu lembro de nós dois em outro verso, sabia?

– Sério? Achava que você nos achava super caretas para nos imaginar nessa canção.

– Não. Ou sim (um dia fomos pessoas diferentes). Enfim, o verso é aquele que diz, mais ou menos, que eu posso ser qualquer pessoa que você imagine, não interessa se você me ache beatle, beatnik ou bitolado, mas eu nunca fui um ator.

– Isso é verdade. Para seu bem e para o seu mal, você nunca acenou para a plateia. Você nunca bancou a banda de sucesso depois que o cantor a deixou. Pink Floyd sem Roger Waters.

– E olha onde acabei…

– Apenas longe de casa.

– Na estrada de novo. Insatisfeito com a vida, dirigindo com voz de sono e fúria incontida. Precisando acelerar a 110, 120 e 160Km/h, só pra ver até quando o (auto) amor aguenta. Eu posso estar apenas tocando o instrumento errado, no emprego errado.

– É natural, gato. Nada vai te contentar. Você mesmo disse aqui que esteve na estrada em 2004 e em 2010. É 2016. Há um padrão nisso. Você vai ficar bem. Sempre ficou. Você é um sobrevivente da estrada, herdeiro da criancice de Mad Max e Born to Run.

– Nós dois crescemos ao ponto de darmos conselhos embriagados um ao outro?

– São variações de um mesmo tema. “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Pense que essa conversa poderia ter sido pior. Esteja feliz que em algum lugar dentro de você ainda existe a coragem de correr riscos.

FIM

 

Para se ler ouvindo Infinita Highway no mix.

E para ler (desde já me desculpando pelos embriagados plágios), o artigo de Laíce Raquel Dias.

*Parte desse artigo foi escrito na manha do dia 28/07/19, entediando-me com os rituais do sistema de justiça penal.*

NÃO SOU DO DIREITO E NEM DESSES FDP EU GOSTO.

— … não é nem oito horas e já temos alguém bebendo.
—Sou assim, urgente.
— Sempre foi.
— Sabe o que eu gosto daqui? A ausência de pessoas.
— Todos os quartos estão lotados.
— Não, querida, falo de permanência. Rostos familiares no dia seguinte. Há muitos hóspedes indo e vindo, mas nenhuma realmente ficando. Por isso eu gosto de beber aqui.
— Mas você nunca foi de ficar no mesmo canto por muito tempo.
—Ei, não lembre o passado. Este é um hotel e eu sou hóspede, você, mocinha, devia me tratar melhor. *Risos*
— *Risos* Estou sacaneando com você.
— *Piscar de olhos* Eu sei.
— Esses anos todos, eu achava que você não me reconheceria.
— Memória eidética.
— Sei, e você esteve por onde?
— Nem sei ao certo. Conheci outras estradas, outras pessoas. Para minha sorte, acho.
— Doze anos, não foi? Muito tempo… Não me diga que se casou por aí.
— Casei, separei, casei de novo e a audiência do segundo divórcio está marcada pra terça que vem. Acho que vou ter que passar essa…
— E o que você está fazendo aqui nesse fim de mundo, buraco do caralho? (mais…)

Published in: on Agosto 14, 2012 at 11:39 pm  Comments (2)  
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Manias

Engraçado… Antes de te conhecer, eu tinha várias manias. Fazia dancinhas idiotas, sorria de forma exagerada e psicótica pra causar risos, mudava o tom de voz em algumas frases pra causar efeito… Manias que moldavam o que sou. Hoje em dia eu não as suporto mais, pois todas me lembram você. Elas se encaixavam perfeitamente na nossa convivência e fazia tudo ter mais sentido.

Essas velhas manias me atormentam atualmente, pois não gosto de me lembrar do que houve. Não gosto de me lembrar de como você reagia a elas. De como você sorria no fim de cada uma delas. Mas, me diga… Como esquecer, se tais coisas estão cravadas na minha essência? Por isso criei uma única e mundial mania… A mania de não ter manias. Paradoxal, eu diria. Mas, infelizmente, essa me faz lembrar você mais do que todas as outras juntas, pois é a única que surgiu por sua causa.

Passado infernal.

Postado ao som de Black – Pearl Jam

Published in: on Julho 11, 2012 at 4:54 pm  Deixe um Comentário  
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Confissões


Tenho que confessar que…
Hoje eu tentei pensar em você, lembrar de como era seu rosto.
Da beleza que sempre irradiava dele.
Dos seus olhos cor de ardósia.

Mas não consegui.

Juro que quanto mais tentava mais longe seu rosto ficava.
Parecia que se distanciava de mim como aconteceu com nosso amor.
Não que eu quisesse isso, muito pelo contrário.
Sempre achei que você fosse ficar em minha mente para sempre, mas as coisas quase nunca são como desejamos.

E acabamos caindo nesse abismo.
O abismo da indiferença.

Aqueles dias, em que falavamos sobre o amor tão docemente, parecem tão distantes agora.

É uma pena, tenho que confessar…

Pra ser ler ouvindo Ando Só e Pra Ser Sincero dos Engenheiros Do Hawaii

Confissão

Esperando pelo último suspiro
como um felino
que pulará
na cama enquanto estarei dormindo

Eu tenho muita tristeza
pela minha esposa
ela verá este
corpo
pálido
rígido
sacudirá uma vez
talvez
outra:

“Hank!”

Hank não
responderá.

Não é a morte certa que
me preocupa, mas é
deixar minha
esposa
com uma
pilha de
nada.

eu quero
que ela saiba
no entanto
que todas as noites
dormindo
ao seu lado

mesmo as discussões
mais inúteis
foram esplêndidas

e as difíceis
palavras
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu
te
amo.

Sobre a Insônia

“I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it!”

“Vejo cidades fantasmas e ruínas
À noite escuto o seu lamento
São pesadelos e aves de rapina
No sol vermelho do meu pensamento”

Não foram duas ou três noites mal dormidas.
Talvez dezenas ou centenas.
Noites em que não consegui parar de pensar numa única coisa, num único plano e algumas frases que já havia decorado há tempos.
Frases que no momento insistem em ficar na minha garganta e que minha voz não as pronunciam.
Frases que sempre pensei em te dizer, mas nunca tive coragem.
Agora eu vejo que é tolice tentar trazê-la de volta ou tentar compensar todas as noites que você não conseguiu dormir.
Esperar é o que se pode fazer, ou então esquecer o passado e pegar sua estrada em direção ao Pôr-do-Sol.
Sem data marcada e frases decoradas.

Peço perdão se escrevi alguma bobagem. Afinal, sabes que horas são?

*Postado ao som de O Rélogio de Adilson Ramos*

A SOLIDÃO


Ok, pessoa sentimental.
A primeira desilusão na cidade das trevas é: Solidão não é estar sozinho.
Não é estar sem alguém no sábado à noite.
(A noite mais solitária da semana).
Não é não ter alguém com quem trepar.
(“A menos que você seja um leproso, sempre tem alguém querendo dar pra você”).
Não é não receber uma mensagem, scrap, cutucada, twitter, twiring, twhtring… O que seja.
Solidão é esperar uma mensagem, não tendo de quem a receber.
Dar grandes festas e a convidada especial nunca aparecer.
É morrer como indigente e ter seus órgãos doados a uma faculdade de medicina.
Isso é muito confundido hoje em dia.
Há um amontoado de frágeis manequins loiras dizendo “Own, como sou sozinha (o)!”.
Mas quantas vezes você desceu até a cantina onde Ramon foi morto e jogou na sinuca local?
Medo. (mais…)

Published in: on Outubro 9, 2011 at 1:08 am  Deixe um Comentário  
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New Morning


Gostaria de saber por que isso acontece.
Por que é sempre a mesma coisa sem graça.
Como quando a garota é linda.
Mas é linda.
De que serve uma garota linda após jogar a camisinha fora?
Mas não pensem que isso é mais um daqueles textos sobre relacionamentos.
Não é de o meu feitio andar em círculos.
(Conquanto tenha feito isso compulsivamente, não olho o dia inteiro para o abismo)
É necessário seguir em frente.
Era sobre isso aquele texto de 18 de abril de 2010.
Todos deviam pensar assim.
O que eu não sei por que acontece é um pouco mais complexo do que aquela boceta não-comida.
(Se é que um dia você comeu”, como diria um amigo).
O que eu não entendo é por que as pessoas não são livres.
As que insistem em se manter inexoravelmente aprisionadas a sentimentos de segurança, à falsa satisfação do dinheiro e ao ilusório suposto “poder”.
É o que me interessa mais agora do que “Os Caçadores da Boceta Perdida”.
Isso já cansou a todos nós.
Algo foi dito há quarenta anos, mas continua verdade.
Quando você tem certas pessoas que lhe escutam, você não deve seguir o que elas dizem.
Elas devem seguir – se quiserem – o que você tem a dizer.
É sobre a falta de liberdade das pessoas que eu quero falar agora.
Se você estiver a fim de escutar, bom. “So Mary climb in”.
Se não, vou falar de toda forma.
Você pode ouvir a contragosto ou colocar os fones de ouvido enquanto isso.
Mas é certo que um dia a vida vai lhe exigir essas respostas.
Expansão do assunto de “Na Estrada ao Pôr-do-sol” e novas reflexões começam agora.

A seguir: A SOLIDÃO.

Para se ler ouvindo My Back Pages – Ramones

Hey Boy!

Hey Boy! Será que posso sentar aqui. Ótimo!

Garçom deixe de jogar conversar fora com o Rapaz e traga-me algo, mas nada de cerveja,
Hoje a Noite resolveu ser tão fria quanto às palavras que você estava proferindo a esse pobre Garoto,
traga-me algo que esquente a garganta. Outra coisa, diga para aquele cara. Sim! O cara com o violão,
Fale para ele tocar algo mais agradável, as músicas do Bob Dylan têm a capacidade de pintar o Passado no fundo de um copo…
Alias, quanto mais venho a lugares como este minha convicção de que existe algum acordo comercial entre O Bob e Bares deste tipo, fica cada fez mais forte.
Faça o que mandei, vamos! Quero ficar a sós com esse Garoto.

Não filho, não tenho o interesse de falar o meu nome para te, tão pouco saber o teu.
Este é o nosso primeiro e derradeiro encontro, não irá durar mais que o gole dado por mim na bebida que o garçom esta preparando agora.
Então, não vejo motivo algum para exercermos velhas cordialidades sociais. (mais…)

Por que o passado não nos abandona?


O preço que se paga às vezes é alto demais
É alta madrugada, já é tarde demais
Pra pedir perdão...Pra fingir que não foi mal
Uma luz se apaga no prédio em frente ao meu
"sempre em frente" foi o conselho que ela me deu
Sem me avisar que iria ficar pra trás
E agora eu pago meus pecados
Por ter acreditado que só se vive uma vez
Pensei que era liberdade
Mas, na verdade, era só solidão...

Por mais que a gente tente ele sempre estará ali, a espreita, pronto para dar aquele bote mortal, que vai nos mandar para o inferno.

Às vezes o que se faz é tentar se esconder, atrás de um copo de uísque barato, em um bar qualquer com cheiro de urina.

E lá estava eu.

Tinha em mãos um copo, desse mesmo uísque barato, e perturbava o garçom com minhas indagações.

Não consigo mais controlar aquilo – eu dizia – aquele fantasma ainda me assombra.

Faça algo por você, amigo: nunca olhe p’ra trás“, me disse o garçom. (mais…)

Published in: on Julho 16, 2011 at 10:12 pm  Comments (1)  
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