Para teu Amor

Baby, bem sabes que de nós dois, sou eu que ama.
Não te esforces, não necessito de ti, exceto o sentido e a ilusão de luz dentro dos teus olhos.
Sou a carícia e tu a borda que se curva até o abismo.
Sou o beijo e tu os lábios que ardem em contato.
Sou o desejo que inventa tua carne e a atravessa.
Não me ames,
Não há espaço no meu amor para o teu amor.

– Efraim Medina

Ao som de I love you – Woodkid

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Published in: on Março 17, 2013 at 11:01 pm  Deixe um Comentário  
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Confissões


Tenho que confessar que…
Hoje eu tentei pensar em você, lembrar de como era seu rosto.
Da beleza que sempre irradiava dele.
Dos seus olhos cor de ardósia.

Mas não consegui.

Juro que quanto mais tentava mais longe seu rosto ficava.
Parecia que se distanciava de mim como aconteceu com nosso amor.
Não que eu quisesse isso, muito pelo contrário.
Sempre achei que você fosse ficar em minha mente para sempre, mas as coisas quase nunca são como desejamos.

E acabamos caindo nesse abismo.
O abismo da indiferença.

Aqueles dias, em que falavamos sobre o amor tão docemente, parecem tão distantes agora.

É uma pena, tenho que confessar…

Pra ser ler ouvindo Ando Só e Pra Ser Sincero dos Engenheiros Do Hawaii

Confissão

Esperando pelo último suspiro
como um felino
que pulará
na cama enquanto estarei dormindo

Eu tenho muita tristeza
pela minha esposa
ela verá este
corpo
pálido
rígido
sacudirá uma vez
talvez
outra:

“Hank!”

Hank não
responderá.

Não é a morte certa que
me preocupa, mas é
deixar minha
esposa
com uma
pilha de
nada.

eu quero
que ela saiba
no entanto
que todas as noites
dormindo
ao seu lado

mesmo as discussões
mais inúteis
foram esplêndidas

e as difíceis
palavras
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

Eu
te
amo.

Ai! Se sêsse!

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?…
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

– Poeta Zé da Luz

Vontade de te ver

Hoje eu senti teu cheiro

E o sol se abriu pra mim
A névoa enfim se dispersou
E eu pude ver com mais clareza

Que sim, eu estou certo
Quando digo que te quero
Poucas coisas pra mim são mais claras
Do que a vontade de ficar com você

De te dar todo meu o aninho
Cruzarmos juntos o caminho
Que viermos percorrer

A vontade que tenho
É sair correndo agora
Pedir pro mundo ir embora
E te abraçar
E te beijar

Olhar teu olho
E ver a mim
Refletindo com clareza
O que se passa na beleza
Do teu peito a suspirar

 

– Henry Florean
Ao som de Aline – Los Hermanos
Published in: on Março 14, 2012 at 10:00 pm  Comments (1)  
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Sobre a Insônia

“I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it!”

“Vejo cidades fantasmas e ruínas
À noite escuto o seu lamento
São pesadelos e aves de rapina
No sol vermelho do meu pensamento”

Não foram duas ou três noites mal dormidas.
Talvez dezenas ou centenas.
Noites em que não consegui parar de pensar numa única coisa, num único plano e algumas frases que já havia decorado há tempos.
Frases que no momento insistem em ficar na minha garganta e que minha voz não as pronunciam.
Frases que sempre pensei em te dizer, mas nunca tive coragem.
Agora eu vejo que é tolice tentar trazê-la de volta ou tentar compensar todas as noites que você não conseguiu dormir.
Esperar é o que se pode fazer, ou então esquecer o passado e pegar sua estrada em direção ao Pôr-do-Sol.
Sem data marcada e frases decoradas.

Peço perdão se escrevi alguma bobagem. Afinal, sabes que horas são?

*Postado ao som de O Rélogio de Adilson Ramos*

New Morning


Gostaria de saber por que isso acontece.
Por que é sempre a mesma coisa sem graça.
Como quando a garota é linda.
Mas é linda.
De que serve uma garota linda após jogar a camisinha fora?
Mas não pensem que isso é mais um daqueles textos sobre relacionamentos.
Não é de o meu feitio andar em círculos.
(Conquanto tenha feito isso compulsivamente, não olho o dia inteiro para o abismo)
É necessário seguir em frente.
Era sobre isso aquele texto de 18 de abril de 2010.
Todos deviam pensar assim.
O que eu não sei por que acontece é um pouco mais complexo do que aquela boceta não-comida.
(Se é que um dia você comeu”, como diria um amigo).
O que eu não entendo é por que as pessoas não são livres.
As que insistem em se manter inexoravelmente aprisionadas a sentimentos de segurança, à falsa satisfação do dinheiro e ao ilusório suposto “poder”.
É o que me interessa mais agora do que “Os Caçadores da Boceta Perdida”.
Isso já cansou a todos nós.
Algo foi dito há quarenta anos, mas continua verdade.
Quando você tem certas pessoas que lhe escutam, você não deve seguir o que elas dizem.
Elas devem seguir – se quiserem – o que você tem a dizer.
É sobre a falta de liberdade das pessoas que eu quero falar agora.
Se você estiver a fim de escutar, bom. “So Mary climb in”.
Se não, vou falar de toda forma.
Você pode ouvir a contragosto ou colocar os fones de ouvido enquanto isso.
Mas é certo que um dia a vida vai lhe exigir essas respostas.
Expansão do assunto de “Na Estrada ao Pôr-do-sol” e novas reflexões começam agora.

A seguir: A SOLIDÃO.

Para se ler ouvindo My Back Pages – Ramones

Esta noite

“Seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui há 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.

Caro editor:
parece que as garotas já se
foram.

Entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção

e o senhor pode ficar com todos os poemas

os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.

Entendo o que o senhor me diz.

O senhor entende o que eu digo?

– Charles Bukowski

Para N…

Outra garota se foi.
Mais uma vez, eu enceno a mesma peça.
Blood on the Tracks, uísque aguado e página em branco.
Há, porém, algo diferente dessa vez.
Além do senso de inevitabilidade, paira uma espécie de entorpecimento.
E não é a bebida.
Estou novamente na chuva (e ela, em terra seca?), mas agora não me importo nem um pouco em caminhar na Terra Devastada até os sapatos encharcarem de sangue.
É isso.
Eu me acostumei em enxergar sangue nos trilhos.

Então, ela foi embora.
Mais uma vez, nós não cometemos todos os pecados capitais.
Duas estradas, uma escolha errada e tudo está acabado.
Achei que podia fazer as coisas darem certo.
Para além de acreditar em felicidade, pensei que acertaria dessa vez.
Bang. Eu perdi.
Quando o motor rugiu rodovia afora, soube que seria eu a desaparecer em direção à Terra da Verdade.
Hilário.
Descobri que ir embora é o que eu sei fazer de melhor.

No fim, permaneço comigo.
Mais uma vez, a roda girou contra o vento e o moinho caiu.
A feira dos ciganos se foi e ninguém leu minha mão.
Junto ao mastro principal do que foi o circo, o garoto espera.
Embora saiba que aquela trupe nunca mais voltará, ele espera.
Esperar é o que lhe resta agora.
Talvez não seja hoje, mas ele descobrirá que aquela cigana que lhe prometeu um baralho com cartas de ouro não mentia, só não há baralho alguma a dar.
A noite cai. A música acaba.
Ele se esforça para chorar, mas a brisa da noite seca suas lágrimas.

Postado ao som de Seems So Long Ago, Nancy – Leonard Cohen

Porres e Poesias

“Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede.
Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer.
Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.”

Charles Bukowski

“(…) Melhor morrer de vodka que de tédio! (…)”

Vladimir Maiakovski

Published in: on Janeiro 22, 2011 at 4:33 pm  Comments (4)  
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